MP investiga suspeita de omissão de colégio particular após aluno ser esfaqueado em Ribeirão Preto
Ministério Público investiga escola particular após aluno ser esfaqueado em Ribeirão Preto O Ministério Público instaurou, nesta segunda-feira (24), um in...
Ministério Público investiga escola particular após aluno ser esfaqueado em Ribeirão Preto O Ministério Público instaurou, nesta segunda-feira (24), um inquérito civil para apurar uma eventual omissão e negligência de uma escola particular de Ribeirão Preto (SP) no caso de um aluno de 13 anos esfaqueado por um colega de 14 anos dentro da instituição. A Promotoria da Infância e Juventude local investiga se a instituição de ensino falhou em adotar providências após ser alertada sobre episódios de bullying, descumprindo o dever de preservar a integridade física e psíquica dos alunos. Também quer saber como o estudante teve acesso à faca usada na agressão. "Qualquer escola em que as mães, os pais deixam, seja ela pública ou privada, a partir do momento que o aluno ingressa na escola, a responsabilidade passa a ser civilmente totalmente do estabelecimento, da unidade escolar", afirma o promotor de Justiça Moacir Tonani Júnior. O Colégio Itamarati nega que a faca usada na agressão era da instituição. A direção também informou que faria nesta segunda-feira uma reunião com os pais dos alunos que teriam participado da divulgação de mensagens de bullying contra o adolescente agressor. 📱 Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp O ataque ocorreu na manhã de sexta-feira (21), durante o intervalo das aulas, no pátio da escola localizada no Jardim Irajá, na Zona Sul da cidade. Fachada do Colégio Itamarati em Ribeirão Preto (SP) Reprodução/EPTV Segundo o boletim de ocorrência, um aluno de 14 anos entrou em uma área restrita da cozinha, pegou uma faca de 11 centímetros e atingiu as costas do colega de 13 anos. A faca ficou alojada no corpo do jovem e perfurou seu pulmão. Ele passou por cirurgia e segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em estado estável. A Polícia Civil investiga o caso como ato infracional análogo a tentativa de homicídio. Em depoimento, o adolescente declarou que vinha sendo alvo constante de humilhações e provocações virtuais iniciadas em um grupo de WhatsApp. A defesa do jovem sustenta que ele tem transtorno do espectro autista e utilizou a faca para se defender de supostas agressões físicas e verbais promovidas pelos mesmos colegas no pátio do colégio. Embora tenha sido inicialmente encaminhado à Fundação Casa, a Justiça determinou que ele responda ao processo em liberdade. LEIA TAMBÉM O que se sabe sobre o caso do adolescente esfaqueado pelo colega em escola particular de Ribeirão Preto, SP Aluno é esfaqueado por colega dentro de colégio na Zona Sul de Ribeirão Preto, SP A investigação no Ministério Público O inquérito do MP investigará se houve omissão por parte dos responsáveis pela escola e foi motivado por relatos da mãe do adolescente autor das facadas. Ela alegou que havia procurado a escola logo no início da semana do ataque para relatar o bullying sistemático e o desejo do filho de não frequentar mais as aulas, mas nenhuma providência teria sido adotada pela gestão do colégio. A Promotoria também quer esclarecer as circunstâncias que permitiram ao estudante acessar a cozinha interna e obter a faca dentro das dependências do colégio. Como primeiras medidas, o Ministério Público vai requerer informações detalhadas à diretoria do colégio, solicitou cópias integrais do procedimento policial e oficiou órgãos como a Secretaria Municipal de Educação, o Conselho Tutelar e o Ministério da Educação. Fachada de escola particular em Ribeirão Preto, onde estudante deu facada em colega. Reprodução/EPTV O que diz o Colégio Itamarati Em nota, o Colégio Itamarati alegou que desenvolve ações contínuas de conscientização e prevenção contra o bullying. De acordo com a escola, as ofensas virtuais identificadas entre os envolvidos tratavam-se de uma "conversa pontual" ocorrida fora do horário e do ambiente escolar, o que, sob a visão da diretoria, descaracterizaria a prática sistemática de bullying dentro da unidade. A escola informou que a faca utilizada na agressão não é compatível com o acervo de materiais ou utensílios de sua cozinha interna. Como resposta ao ocorrido, a diretoria anunciou o desligamento do aluno agressor de seu quadro de estudantes. As atividades escolares, que haviam sido suspensas na tarde de sexta-feira, foram retomadas normalmente nesta segunda-feira (24). Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca